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APRENDER A SER GRANDE

Fitar o chão e contar os passos.

O mundo gira ao contrário e eu quero fincar meus 
pés ali mais adiante da fatídica constatação. Eu não 
quero morrer sem antes estar vivo 
e ter tanta, mas tanta vida, tanta vida 
que tudo ao meu redor terá a vontade de continuar 
um pouquinho mais amanhã. Pois amanhã alguém
escreverá um poema novo 
e outro alguém lerá algum dos clássicos, 
pois amanhã o filme de sucesso esquecido 
voltará com tudo e um meme 
será visto por milhões de pessoas 
entre 
telas 
sacolas 
trabalhos
sonhos.

Eu não quero morrer amanhã, ainda tenho 
de conhecer o velho entusiasmo de alguém 
novo e o novo entusiasmo de quem meus 
olhos – de muito vê-lo – tornou-se incapaz
de identificar. Recuperar a capacidade
de notar a singularidade de cada sorriso 
de quem sorri mil vezes e não teimar em 
apelida-lo por ter a alegria inundando 
toda essa sobriedade.

Eu não quero morrer sem antes 
aprender a andar 
com 

cabeça 
erguida.




O CARA QUE SÓ SABIA SER POUCO

Quando converso com Amanda
sou atirado ao chão indefeso 
com os pés amarrados
Descubro: já não possuo asas,
restam-me apenas palavas
& palavras não valem um tostão.

Quando converso com Amanda
sinto gosto de terra na boca
Abandono a prepotência 
adolescente de me afirmar poeta
& retorno ao espinhoso descanso
dos sonhos inertes que esperam
                                  esperam
                                  esperam
                                  esperam

Quando converso com Amanda
coço meu cerne até o último
pedaço de pele se desprender:
sobram apenas esses versos
banhados na esperança 
daquilo tudo de mim
que deixei de inventar.

A ânsia comum aos homens
mais comuns 
à qual alcunham de amor. 




MUNDO DA LUA

aquele passarinho voava distante 
quase toda – Lucas Silva & Silva –  
quarta domingo penso nisso e no 
arroubo rasante indo para além 
enquanto o tempo me esgarça feito 
colcha velha fadigado e se antes novo 
repleto de energia não pude acompanha-lo 
quanto mais agora sentindo o lento e 
babado beijo da vetustez gordo e de boca 
enorme a mesma boca abissal com qual 
engoli meu céu minha infância 
alaranjada numa bocada só... 













POEMINHUS

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BIDÊ DE OURO




Pequeno livreto com cinco poemas de minha autoria e as ilustrações fantásticas do Cléber Alves. Tem metapoema, poesia cubista, tem homenagem a Advenir de Souza.






ÁTIMO

doce gosto, sem prosa
nem prazo, eu gosto
destes quereres
que parecem eternos
feito agostos... 









ÀQUELE POEMINHO DE 2007 (DEJÀ VU)

p/ Jenifer


quero acordar  naquele ano inoportuno & uma vez mais  deixar de dizer todas as coisas um tanto  mais convicto em minhas  meias verdades emputecer  este amor  até a única opção ser mesmo emudecê-lo de vez...